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Nova pesquisa mostra correlação entre casos de morte por câncer e localização das antenas de telefonia celular PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Aline Mendes   
Sáb, 10 de Abril de 2010 19:16

Boletim UFMG Abril 2010Nova pesquisa mostra correlação entre casos de morte por câncer e localização das antenas de telefonia celular

Boletim UFMG. Sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tese de doutorado da engenheira Adilza Condessa Dode defendida na UFMG, no final de março, revela que há fortes evidências entre mortes por câncer e localização de antenas de celulares em Belo Horizonte. A pesquisa confirma resultados de estudos realizados na Alemanha e em Israel.

Com base no geoprocessamento da cidade, a pesquisa constatou que mais de 80% das pessoas que morreram de cânceres relacionados à radiação eletromagnética – emitida pelos celulares – moravam a cerca de 500 metros de distância de alguma antena.

A tese é tema da edição do Boletim UFMG que circula na segunda-feira, 12 de abril.

Níveis seguros?

Há níveis seguros de radiação para a saúde humana? “Esse é exatamente o problema: até agora, ninguém sabe quais os limites de uso inócuos à saúde”, explica Adilza Dode, ao destacar que os padrões permitidos no Brasil são os mesmos adotados pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não-Ionizantes (Icnirp), normatizados em legislação federal de maio de 2009. Para a pesquisadora, esses padrões são inadequados. “Eles foram redigidos com o olhar da tecnologia, da eficiência e da redução de custos, e não com base em estudos epidemiológicos”, assegura.

Entre os 22.543 casos de morte por câncer ocorridos em Belo Horizonte de 1996 a 2006, Adilza Dode selecionou 4.924, cujos tipos – próstata, mama, pulmão, rins, fígado, por exemplo – são reconhecidos na literatura científica como relacionados à radiação eletromagnética.

Na fase seguinte do estudo, elaborou metodologia inédita, utilizando o geoprocessamento da cidade, para descobrir a que distância das antenas moravam as 4.924 pessoas que morreram no período. “A até 500 metros de distância das antenas, encontrei 81,37% dos casos de óbitos por neoplasias”, conta a pesquisadora, professora do Centro Universitário Izabela Hendrix e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

“Não somos contra a telefonia celular, mas queremos que o Brasil adote o princípio da precaução, até que novas descobertas científicas sejam reconhecidas como critério para estabelecer ou modificar padrões de exposição humana à radiação não ionizante”, diz a pesquisadora.

Recomendações

Em um capítulo de sua tese, ela lista uma série de recomendações. Entre elas, a de que o Brasil adote os limites já seguidos por países como a Suíça. Sugere, ainda, que o governo não permita transmissão de sinal de tecnologias sem fio para creches, escolas, casas de repouso, residências e hospitais; crie infraestrutura para medir e monitorar os campos eletromagnéticos provenientes das estações de telecomunicação e desestimule ou proíba o uso de celulares por crianças e pré-adolescentes.

Componente da banca que avaliou a tese de Adilza Dode, o professor Francisco de Assis Ferreira Tejo, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande, afirma que a tese desenvolvida por Adilza Dode "deve ser um marco para que a sociedade brasileira e o Ministério Público comecem a se debruçar sobre a questão dos efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos".

A tese Mortalidade por neoplasias e telefonia celular em Belo Horizonte, Minas Gerais foi defendida em 26 de março de 2010, junto ao Programa de Doutorado em Saneamento, Meio Ambiente, e Recursos Hídricos (Desa) da Escola e Engenharia da UFMG, e teve como orientadora a professora Mônica Maria Diniz Leão, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, da Escola de Engenharia e co-orientadora a professora Waleska Teixeira Caiaffa, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina.

Leia matéria do Boletim na íntegra (arquivo PDF)

Referências(0)

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Comentários (4)

Atualizações dos comentários
Desconhecimento da população
0
Achei super interessante, a tese de Adilza no que concerne ao campo eletromagnético.Assunto este pouco difundido.A maioria das pessoas desconhecem a ação da radiação das torres de celulares.Conheço pessoas que alugam sacada de seu apartamento para instalção de torre para transmissão de sinal para empresas de telefonia(esta torre é pequena em relação as demais, mas acredito que carrega consigo uma taxa de radiação) e se a gente comenta sobre o perigo, a pessoa discorda.Afinal, as grandes empresas não tem nenhum interesse que o usuário conheça o real perigo que tais antenas carregam.
Regina Candida Anunciação , novembro 20, 2010
...
Aline Mendes
Olá, Regina.

Realmente, é muito comum as pessoas pensarem só nas vantagens econômicas, e desprezarem os possíveis riscos. Acho que vai acontecer com as antenas e aparelhos de celular o mesmo que aconteceu com o cigarro. Durante décadas governos e empresas negaram os efeitos nocivos. Somente quando o custo para tratar os doentes se tornou mais alto para o governo do que o lucro que ele obtinha com a indústria do tabaco, é que a verdade foi admitida publicamente. Ainda vivemos numa sociedade estruturada com base nos lucros...
Mas sou uma pessoa otimista, e faço parte do time das formiguinhas que se propõe a começar a mudar o mundo!
Grata pela sua visita!
Aline Mendes , novembro 21, 2010 | url
Investigador Científico
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Estimada Colega:
Tive conhecimento da sua Tese de Doutoramento.
Estando-se a organizar o evento Proteção 2012, onde irão ser abordados os mais variados problemas suscitados pelas radiações ionizantes e não ionizantes, seria interessante vê-la participar.
Com os meus cumprimentos,
João Quintela de Brito, Presidente da SPPCR
João Quintela de Brito , outubro 07, 2011 | url
...
Aline Mendes
Caro João,
Apenas divulguei em meu portal a importante pesquisa da Dra. Adilza Dode. Você pode entrar em contato com a própria a partir do site de sua empresa, em http://www.mreengenharia.com.br
Fico feliz por promover o contato entre a SPPCR e esta excelente pesquisadora brasileira, e desejo muito sucesso no evento a ser realizado.
Atenciosamente,
Aline Mendes, arquiteta
Aline Mendes , outubro 17, 2011 | url

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